Para que nossa mente funcione adequadamente (isto é, de forma mais completa e saudável), desenvolvemos ao longo da vida e das experiências vividas, estruturas que funcionam separada e complementarmente.

Na Psicanálise, por exemplo, chamamos de ID, EGO e SUPEREGO. Contudo, hoje a intenção é explicar apenas uma parte disso, de forma mais simples e compreensível!

Comecemos pelo básico:

Nós temos a nossa mente primitiva, que comporta nossos instintos de sobrevivência e as funções corporais mais básicas comandadas pelo cérebro e pelo SNC (sistema nervoso central), tais como fome, sede, sono etc, que regulam nossa sobrevivência.

Com o passar dos anos passamos a desenvolver estruturas mais complexas, como nossa personalidade, nossos gostos, entendendo, a cada ano que passa, aquilo que mais faz sentido para nós, que nos deixa mais satisfeitos, felizes e o que faz o efeito oposto.

Tudo isso que passa a fazer parte e compor nossa identidade, é afetado diretamente e profundamente pelas relações familiares, entre outras. E é nesse caminho de descoberta de nós mesmos, que vamos ampliando, a cada nova vivência, o nosso próprio código de valores, tentando interpretar, no máximo de nossas habilidades (e isso varia muito de pessoa para pessoa), o que é CERTO E ERRADO, o que é MELHOR E PIOR para nós e aqueles à nossa volta. E você deve saber….Esses conceitos são extremamente voláteis! Ou seja, variam muito, são subjetivos (se formam de acordo com a experiência e opiniões individuais). Portanto estamos vivendo sempre a mercê dessas múltiplas possibilidades de agir e, o que transforma o ponto de vista de cada ser humano em algo relativo à sua existência até aqui.

E aqui entra o miolo, a principal ideia que gostaria de expor aqui à vocês:

Conforme o tempo passa, tendemos a ser cada vez menos versáteis e flexíveis, pois esse nosso ‘código de valores’ e a ética exigida na sociedade, cada vez mais se solidificam em nossas mentes, e, as vezes sem querer, deixamos de exercitar a ‘mente aberta’, e empatia, pois percebemos e sentimos muito com tudo que já nos fez muito mal e que nos prejudicou e queremos, é claro, evitar tudo isso o máximo possível.

Okay, contudo, o movimento que fazemos em paralelo a isso tudo (e que muitas vezes nem percebemos), é o crescimento e solidificação também do nosso EU CRÍTICO!

O nosso Crítico Interno amadurece a cada dia e vivência e, assim como peneiramos todas as situações e atitudes das pessoas alheias em nosso código de valores (através do julgamento que fazemos 24 horas de tudo a nossa volta), passamos também a julgar, criticar e moldar, nossos próprios comportamentos escolhas.

Tudo bem, mas, qual o problema disso até aqui?!

O grande problema começa, quando, ao invés de passar nossas atitudes e escolhas por essa “peneira” através do autoconhecimento, possibilitando a auto-empatia, a compreensão de que posso modificar e flexibilizar o que me torna mais sábio(a) e saudável, fazemos apenas uma parte do processo:

A DE APENAS NOS CRITICAR, NOS JULGAR, NOS COBRAR, NOS EXIGIR A SERMOS CADA DIA MAIS CONDIZENTE COM O QUE A PENEIRA (CRÍTICO INTERNO) ESTABELECE COMO LEI, COMO VERDADE. Como se viver fora disso ou tentar fazer as mesmas coisas de outra maneira, com outro ritmo e olhar, com outros sentimentos não vividos ainda, fosse um crime!

Quando isso passa a ocorrer, os julgamentos são cada vez mais fatais e rígidos, além de mais rápidos e e implacáveis. Não permitindo que nossa autoestima, o amor próprio, a e autoconfiança e a autoaceitação possam crescer. Afinal, se o crítico é rígido e não permite pontos fora de sua curva, ao tentar pensar diferente, fazer diferente, se amar diferente, se relacionar consigo e com os outros de forma diferente, a peneira vai “bugar”, vai entrar em contradição, e frear tais comportamentos que poderiam ser libertadores!

Toda vez que nos criticamos com muita frequência e força, que não nos permitimos fazer, ser, falar, o que nosso coração está de fato sentindo, quer dizer que estamos muito apegados ao nosso código, ao Eu Crítico. E por isso devemos tomar cuidado.

Nosso crítico interno, nosso código de valores serviram e sempre servirão para nos manter fora de encrenca, para sabermos diferenciar o que nos faz bem do que não faz, e está tudo certo até aqui! Afinal vivemos em sociedade e, mesmo não aprovando o comportamento e escolhas alheias, temos que aprender à, ao menos, respeitar tal diversidade e aceitar que, certas diferenças, até nos complementam e nos fazem muito bem!

O alerta que gostaria de deixar à todos é com relação à esse processo do crítico quando ele ocorre de nós para nós mesmos. Será que seu crítico interno está te preservando e precavendo, ou está na verdade te impedindo e te afastando de tantas descobertas bacanas, atitudes novas ou apenas diferentes que te levariam a um próximo nível de maturidade emocional? De evolução humana?!

Repense seu código de valores! Todo código merece ser revisto e reescrito de tempos em tempos, para possamos ABRIR ESPAÇO PARA O NOVO, O DIFERENTE E PARA O QUE MUITAS VEZES JÁ EM NOSSO CORAÇÃO, E QUE NOS FARÁ UM SER HUMANO MELHOR E MAIS FELIZ!

O que seu crítico interno vem impedindo você de dizer, de fazer, de decidir, de se permitir, que caso você fizesse, apesar de parecer perigoso, apenas te libertaria, te faria mais leve e satisfeito(a)?!

E lembre-se sempre: não adianta libertar-se de um certo hábito, de um código de atitudes e comportamentos, adquirindo outros sem assertividade, sem inteligência emocional, sem empatia ao próximo. Todos nós temos a possibilidade de nos melhorar e evoluirmos sem que, para isso, precisemos destruir o outro, passar por cima de algum sentimento alheio ou desrespeitando as pessoas à nossa volta!

Espero de coração que esse conteúdo possa ter lhe feito refletir e chegar em conclusões que tragam mais amor próprio, mais autoconhecimento e alegria à sua vida! Se gostou, compartilhe com quem você acredita que também se beneficiará de artigo! Deixe também seu comentário para sabermos que você passou por aqui!

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Grande abraço!