“O transtorno da expressão emocional involuntária (involuntary emotional expression disorder ou IEED) consiste em um transtorno do afeto, caracterizado por uma dificuldade em controlar a expressão emocional, que se apresenta por episódios breves e estereotipados de riso e/ou choro incontroláveis. Pode estar relacionado a diversas patologias encefálicas, em variadas localizações anatômicas.”

Pois é, o transtorno vivenciado por nosso conhecido Coringa, no mais recente filme lançado no cinema que conta sua história, é bastante complexo de se lidar. No próprio filme o personagem Arthur Fleck (que mais tarde vem a se tornar o vilão Coringa) enfrenta essa realidade e, no seu caso, são as risadas ininterruptas que muitas vezes o colocam em grandes “saias justas”, pois as pessoas ao seu redor não entendem sua reação emocional frente a determinadas situações.

Em sua própria defesa, Arthur possui um cartão no bolso que entrega às pessoas que reagem aos seus acessos de riso, explicando sua condição neurológica. Essas são as únicas informações que colocaremos por aqui sobre o filme, pois se expandirmos, será spoiler! E não temos esse objetivo!

Um artigo científico publicado na revista clínica psiquiátrica ScieLo em 2008, explica:

“No transtorno da expressão emocional involuntária, as crises de choro e/ou riso, além de serem incontroláveis, tendem a ser desproporcionais ao estímulo recebido, podendo estar completamente dissociada do estado de humor do paciente ou mesmo ser contraditória ao contexto no qual o estímulo está inserido”

No filme inclusive é percebido que a reação com as risadas ocorre exatamente nos momentos de maior tristeza vivenciados pelo personagem, Ou seja, a reação esperada é que tivesse tristeza, chorasse, sentisse raiva, mas acaba soltando risadas compulsivamente, tentando até forçar a parada, o que causa acessos de tosse algumas vezes, mas em vão, pois as risadas não cessam. E ao contrário do que se pode pensar, não se trata de um riso agradável e leve, mas sim uma risada patológica, parecendo forçada.

As causas desse transtorno ainda vem sendo estudadas, porém vão desde traumas na cabeça à aspectos sócio-ambientais. Infelizmente não há cura uma vez que o transtorno é diagnosticado com 100% de certeza, mas há tratamento que diminui a incidência das crises, melhora a qualidade de vida do(a) paciente e suas relações no geral, tanto com medicações quanto com a psicoterapia e, eventualmente, exames clínicos e de imagem que possam monitorar a situação da pessoa acometida pelo afeto pseudobulbar.

Os pesquisadores responsáveis pelo artigo científico citado anteriormente, concluíram o seguinte em seu estudo:

“As crises de riso ou choro involuntários que constituem o paradigma do IEED podem levar a fobias secundárias e, conseqüentemente, a um isolamento e a um importante prejuízo no funcionamento social, ocupacional e familiar do indivíduo. Pacientes acometidos desse transtorno, assim como suas famílias, encontram-se desamparados em virtude do subdiagnóstico, do desconhecimento e, muitas vezes, da falta de abordagem e valorização dessa condição clínica por parte de seu médico-assistente, o que, não raro, potencializa o sofrimento advindo dos episódios de desinibição emocional.

Assim, a correta identificação e conduta do transtorno tornam-se imprescindíveis, na medida em que um tratamento adequado e bem indicado pode reduzir os sintomas, minimizar seu acentuado impacto negativo, melhorando a qualidade de vida e, até mesmo, o engajamento do paciente em programas de reabilitação.

Estudos futuros ainda se fazem necessários para um melhor entendimento acerca da fisiopatologia e fenomenologia do transtorno da expressão emocional involuntária, com metodologias mais adequadas, amostras maiores, instrumentos de avaliação adequados e validados que possibilitem a obtenção de dados mais homogêneos e consistentes.”

Esperamos que tenham gostado do artigo e que possam voltar sempre para acompanhar nossas próximas postagens! Muito obrigada por sua presença por aqui e, aproveite para compartilhar esse conteúdo com quem você acredita que possa se beneficiar dele, em suas redes e deixe seu comentário ou dúvida!

Grande abraço e até breve!

Referência: “Transtorno da expressão emocional involuntária”. Rev. psiquiatr. clín. vol.35 no.1 São Paulo  2008.

Link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832008000100004 (colar na barra de endereços do seu navegador).