O tipo de bullying que mais se tem notícias e estudos há alguns anos é o que ocorre no âmbito escolar, seja entre crianças ou adolescentes, e, mais recentemente, o cyberbullying, ambos retratados no primeiro artigo pela Flávia Merschmann, aqui da Bem Viver +.

Nessa segunda e útlima parte pretendo adentrar no conceito de bullying de maneira mais ampla, contemplando o que ocorre, por exemplo, em empresas.

Antes disso, preciso deixar algo claro aqui, que talvez você leitor(a) jamais tenha pensado ou assimilado:

Em qualquer situação ou lugar onde houver mais de uma pessoa, pode existir bullying. Já pensou nisso? Ou seja, isso inclui uma comunidade, grupo de amigos do condomínio, do bairro, seu grupo religioso (seja ele de qualquer igreja, credo, doutrina etc), podendo até ocorrer no grupo de trabalho voluntário, ou entre parentes e familiares, entre idosos, entre pessoas que trabalham em um comércio, porém em diferentes estabelecimentos, enfim…Acho que já deu para entender.

A única questão é que, em diversas dessas ocasiões, o nome é outro. Em casa ou na família, chamamos violência doméstica (que pode ser qualquer tipo de agressão, humilhação ou relação subjugadora, onde uma pessoa impõe sofrimento a outra, seja por meio psicológico, físico, emocional, chantagem, abuso de poder ou autoridade, entre outras formas). No trabalho, estamos mais acostumados a ouvir sobre casos de assédio moral ou físico/sexual, e, em outros contextos, ouvimos sobre o abuso, a calúnia, a difamação, a fofoca, a humilhação e a violência acontecendo em suas mais variadas formas.

Em qualquer circunstância onde uma pessoa tenta, mesmo que da maneira mais sutil e leve, demonstrar superioridade e, com isso, imprimir sofrimento, por mínimo que seja em outra(s) pessoa(s), ela está sim cometendo bullying. Seja uma vizinha fofoqueira difamando e espalhando informações sem ter certeza ou prova nenhuma a respeito do fato falado, seja no grupo de igreja onde alguém tem sido subestimado ou ignorado por pensar ou saber as coisas de um jeito diferente da maioria, ou no grupo de amigos do condomínio onde alguém é ignorado e excluído pelos demais, sem ter feito nada de errado, mas, simplesmente por algum desentendimento ou malentendido, e por aí vai.

O que eu quis deixar claro com todos esses exemplos, é que o bullying, apesar de ter raízes nas questões escolares, está muito mais presente e disfarçado de “brincadeira” e de “descontração” em muitos locais e grupos diferentes.

Numa empresa, instituição, órgão, estabelecimento comercial, entre outros ambientes de trabalho, ele também ocorre, e muitas vezes de forma nada sutil, mas sim escancarada. Piadas e dizeres sarcásticos ou irônicos, podem botar tudo a perder se não forem muito bem mensurados por seu interlocutor, pesando todos os impactos do que irá fazer ou falar, passando pelos filtros da educação, do respeito, da ética e do trabalho em equipe.

Por muito pouco, pode-se criar uma inimizade e, de repente, gerar um clima esquisito, pesado que acaba atravancando toda a rotina, muitas vezes de toda uma equipe. Como o adulto acha que deve ser forte e nunca, em hipótese alguma, admitir que está sentindo-se inferiorizado, submetido a piadas exageradas ou sendo excluído, banido, ele acaba não denunciando, vai levando, aguentando, achando que o problema vai passar, que seria “frescura” reclamar com alguém a respeito, e se cala.

Após certo tempo não há retorno, nada volta a ser como antes, leve, tranquilo…num clima favorável, pois o famoso e tão usado hoje em dia “ranço” está instalado, e nada vem à claridade, tudo segue num esquema invisível, contudo, tão denso como uma massa pesada que vai segregando e fragmentando o grupo.

Para isso não ocorrer, ou então, quando ocorrer ser trabalhado da maneira correta, as pessoas precisam tentar entender o que está havendo e o máximo possível tentarem resolver qualquer pequeno atrito ou faísca que possa estar gerando um desconforto. Se isso não for possível e o problema seguir, o caso deve ser relatado ao RH da empresa ou então à algum responsável que possa intermediar e ajudar atuando na conciliação que se fizer necessária, como um terceiro elemento neutro, servindo de fiel da balança.

Esteja atento! Pois o que mais temos visto por aí, como as lutas feministas, outras contra racismo, homofobia, gordofobia, também não deixam de ser lutas contra atitudes de bullyes, dos famosos “valentões”, que podem estar sozinhos, em grupo, ter qualquer idade, nível socioeconômico, cultural e, mesmo assim, estão impondo sofrimento, sendo carrascos sutis (ou nem tanto..) com colegas de serviço, amigos da igreja, pessoas do bairro, familiares e por aí vai.

Eu espero ter contribuído de alguma maneira para que você pense mais a respeito do bullying e de sua presença em tantos lugares e situações.

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Grande abraço!