A procrastinação é um problema recorrente para muitas pessoas.

Profissionais, estudantes e demais indivíduos sofrem com a sua própria tendência a deixar o que é importante para depois – e o “depois” nunca chega. Como consequência dessa conduta evasiva, ficam estressados e ansiosos com frequência enquanto tentam concluir tarefas atrasadas.

Este post procura responder perguntas comuns sobre procrastinação e oferecer soluções para quem tem o hábito de deixar tudo para a última hora.

1. O que é procrastinação?

A procrastinação é o ato de adiar a realização de tarefas até o último minuto ou de buscar distrações durante a execução delas. Alguns pesquisadores a definem como uma forma irracional de ‘autorregulação do fracasso’, apesar das potenciais consequências negativas.

Todas as pessoas procrastinam de vez em quando. Esse comportamento é especialmente comum quando se faz uma tarefa maçante ou indesejada. Para tentar buscar um pouco de prazer durante a execução ou evitar mergulhar no tédio, procuramos pequenas pitadas de entretenimento em outros lugares.

Engajar nesse comportamento ocasionalmente não causa grandes problemas, embora possa trazer consequências desagradáveis dependendo da urgência da tarefa. A procrastinação se torna um problema quando vira um hábito e passa a interferir na qualidade do nosso trabalho, estudos, organização pessoal e vida como um todo.

2. Por que as pessoas procrastinam?

Se a procrastinação é tão ruim, por que as pessoas evitam iniciar ou concluir as obrigações?

Ao contrário do que se pensa, esse comportamento não tem a ver com a preguiça. As suas raízes tendem a ser mais complexas do que a má vontade.

Nos casos leves, a procrastinação pode ser originada do julgamento equivocado de uma tarefa. Por exemplo, um estudante universitário pode acreditar que um trabalho não é tão complexo assim e deixar para iniciá-lo nos dias mais próximos do prazo de entrega. Quando percebe que a tarefa é sim complicada, é tarde demais.

Já em casos graves, o comportamento procrastinador pode ter raízes em condições de saúde mental, crenças limitantes ou incômodos emocionais. O indivíduo acredita que não merece as ‘recompensas’ que acompanham a finalização da tarefa, como reconhecimento, sucesso ou elogios. Ele procrastina para se distanciar dessa realidade ou para se autossabotar e entregar um trabalho de baixa qualidade. A crença de desmerecimento pode estar tão enraizada que ele procura se punir com o estresse provocado pelo prazo apertado.

A procrastinação também pode ser o resultado da insatisfação com a carreira profissional ou acadêmica e como o individuo não sabe administrar esse sentimento de maneira saudável, procrastina e espera que os seus problemas se resolvam magicamente.

3. A procrastinação tem a ver com a saúde mental?

A procrastinação, como já dito, pode ser um sintoma de condições de saúde mental. A depressão, a ansiedade generalizada, o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) têm a procrastinação como sintoma em comum.

  • Depressão: o depressivo perde o interesse pelo trabalho, relacionamentos, hobbies e afazeres domésticos. Ele não se importa em manter a sua casa arrumada, cuidar da higiene pessoal ou entregar trabalhos no prazo. As consequências negativas, para ele, são indiferentes.
  • Ansiedade generalizada: a ansiedade pode tanto levar a pessoa a atender os seus compromissos com afobação quanto evitá-los por temer o pior. Ela se preocupa com a reação das pessoas antes mesmo de começar e procrastina para não sofrer com isso.
  • TOC: muitas pessoas com TOC têm uma relação negativa com o perfeccionismo. Elas temem cometer erros, nutrem dúvidas sobre o que estão fazendo com as suas vidas, e se preocupam com as expectativas criados pelos outros.
  • TDAH: da mesma forma, muitos adultos com TDAH têm hábitos procrastinadores. Eles se distraem com pensamentos acelerados e estímulos do ambiente, além de também sofrerem com sintomas ansiosos.

4. Quais são as consequências negativas da procrastinação?

A procrastinação pode causar muitos problemas para quem perpetua esse hábito. A produtividade no dia a dia profissional diminui consideravelmente. Chefes e colegas de trabalho podem se incomodar com a falta de organização do profissional, desencadeando conflitos e até uma demissão.

No meio acadêmico, as consequências são semelhantes. O estudante vive com prazos apertados, disciplinas e trabalhos atrasados, notas abaixo da média e problemas com professores que exigem o cumprimento de deadlines. Em outras palavras, ele sabota a sua própria experiência acadêmica.

Os hábitos procrastinadores também podem incomodar cônjuges e familiares que convivem com o procrastinador. Afazeres domésticos, embora possam ser maçantes, são fundamentais para deixar a residência limpa e organizada. Quem atrapalha o fluxo de trabalho doméstico acaba irritando quem se dedica a criar um ambiente doméstico agradável.

Quem procrastina normalmente compreende que o seu comportamento não é apropriado e, de fato, causa problemas para sua vida, mas tem dificuldade para mudá-lo.

5. Como combater os hábitos procrastinadores?

É possível minimizar hábitos procrastinadores para que eles deixem de interferir na sua produtividade. Compreenda, sobretudo, que não é possível acabar com eles totalmente uma vez que são parte do comportamento humano.

Tem dias que você simplesmente não está com vontade de fazer as coisas, não é mesmo? E, essa vontade pode ser maior durante vivências estressantes, como problemas familiares, conjugais ou profissionais.

Não há problema em se permitir desfrutar de momentos procrastinadores de vez em quando. Você só não pode deixar que eles se tornem frequentes. Com isso em mente, confira algumas atitudes que você pode adotar para combater a procrastinação na sua vida.

  • Faça uma lista de tarefas:

Uma dica simples é fazer uma lista de tarefas a serem concluídas no dia. Você também pode fazer listas maiores voltadas para os afazeres semanais e mensais e revisitá-los quando chegar o dia de concluí-los. À medida que você risca itens da lista, se sente um pouco mais realizado. Esse é um ótimo estímulo para prosseguir com a produção ao longo do dia.

  • Comece devagar:

Em vez de se jogar de cabeça em uma tarefa longa ou complexa, comece devagar. Crie metas para quebrar o longo processo em pequenas fases. Dessa maneira, a tarefa não vai parecer tão duradoura, complicada ou assustadora. Muitas vezes, nos assustamos com a quantidade de trabalho necessário para chegar ao resultado, mas nos esquecemos de que não precisamos fazer tudo de uma vez só.

  • Elimine distrações:

Pergunte a si mesmo o que chama a sua atenção quando você está prestes a iniciar um afazer importante. São as redes sociais? As conversas incompletas no WhatsApp? As notícias locais? Um jogo instalado no computador? Ou o ato de pensar em outras obrigações obsessivamente?

Desenvolva estratégias para lidar com essas distrações, como seguir um timer para produzir sem checar as redes sociais ou outros sites, deixar o celular no modo avião, organizar os seus horários para dar tempo de fazer tudo o que deseja no dia ou durante a semana, ou simplesmente mover o objeto da distração do seu campo de visão.

  • Identifique pensamentos procrastinadores:

Que tipo de pensamento passa por sua mente quando a vontade de procrastinar surge? Por exemplo, “você pode fazer isso depois”, “ainda tem muito tempo para terminar essa tarefa”, “você precisa se preparar mais”, entre outros. Esses devaneios buscam mudar a sua atenção das obrigações para coisas menos importantes.

As pessoas tendem a valorizar mais as recompensas imediatas do que as conquistas a longo prazo. Sendo assim, elas tentam dizer a si mesmas que precisam terminar algo mais importante antes de iniciar aquela tarefa maçante e demorada. Então, procure combater pensamentos que tentam mudar o foco para afazeres menos urgentes.

  • Se parabenize:

Lembre-se de celebrar as suas conquistas! Dê parabéns a si mesmo quando completar etapas de um longo processo e finalizar tarefas, independente do seu grau de complexidade. Gratifique comportamentos positivos, como proatividade e responsabilidade, para diminuir a vontade de procrastinar.

6. A terapia pode ajudar a combater a procrastinação?

Sim, a terapia pode ajudar indivíduos a modificar hábitos procrastinadores e crenças limitantes, substituindo-os por alternativas saudáveis.

O acompanhamento psicoterapêutico também auxilia no controle dos sintomas de condições de saúde mental, principalmente as que não têm cura, como o TOC e o TDAH.

Se você luta consigo mesmo há muito tempo para parar de procrastinar e não obteve sucesso até o momento, considere consultar um psicólogo. Você pode estar sofrendo com sintomas de uma condição sem saber.

Muitos adultos recebem diagnósticos errôneos na juventude, por isso, acreditam ser preguiçosos ou incompetentes. Na verdade, o seu comportamento ‘atípico’ é o resultado de uma condição não diagnosticada, a qual pode ser tratada visando melhorar a sua qualidade de vida.

 

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Grande abraço e até breve!