Estigmas, crenças, julgamentos, preconceitos…Nos últimos anos a discussão e a troca de ideias em torno de problemas relacionados à padrões sociais (independente se para mulheres ou homens) e o que são (ou não) pré-conceitos que as pessoas praticam e vivem (consciente e inconscientemente), só vem aumentando. Este aumento é, de fato, muito bom e muito importante para nossa EVOLUÇÃO E CRESCIMENTO ENQUANTO PESSOAS! Pode até ser que essas discussões causem alvoroço, gerando stress, confusões nas redes e mídias sociais,…desentendimentos, contudo, elas são de extrema importância para o questionamento de ANTIGOS CONCEITOS, construídos há muitos séculos e que, em sua grande parte, não modificaram muito após a gigantesca evolução nossa enquanto sociedade, nossas tecnologias e tudo que nos cerca e faz parte de nossa convivência nesse mundo.

Quando discutimos e buscamos (com certo esforço), transformar nossos pensamentos e pontos de vista sobre esses conceitos, estamos não só ampliando nossa inteligência emocional, como também nossa qualidade de vida, afinal, o que antes era considerado ruim ou esquisito em nossa mente, pode amanhã não ser mais. O que se via antes com aversão, pode passar a ser visto com amor e empatia, e é claro que isso nos modifica por dentro, trazendo a tona novas maneiras de viver, em maior harmonia, mesmo que um passo de cada vez, mesmo que lentamente.

Passemos agora a exposição de 2 estigmas e alguns argumentos que podemos utilizar para desconstruí-los em nossas mentes. Muito provavelmente você vive ou conhece pessoas bem próximas à você que vivem e praticam tais pensamentos/julgamentos (seja a pessoa consciente disso ou não):

1- GORDOFOBIA: AVERSÃO, PRECONCEITOS E/OU JULGAMENTOS NEGATIVOS ACERCA DE PESSOAS GORDAS:

Pensamentos como: “Pessoas gordas são doentes e magras são saudáveis” ou “Toda pessoa gorda come mal e é sedentária”, ou até mesmo algo mais velado como: “Esse(a) gordo(a) está comendo salada pois quer emagrecer e deve comer muita porcaria”, dentre inúmeros e infinitos outros exemplos, são construtos sociais, ou seja, são argumentos socialmente construídos e que se fortaleceram ao longo dos tempos por ninguém ter parado para questioná-los ou contradizê-lo. Seria SEMPRE errado pensar dessa forma? Pode até ser que, em alguns casos, essa forma de enxergar uma pessoa realmente condiza com sua realidade, mas o convite aqui é para que todos parem de GENERALIZAR e também para que passem a respeitar e permitir que o outro seja como quiser e lhe faz feliz.

Em primeira instância, na realidade, ser GORDO ou GORDA é apenas característica física, não um xingamento ou adjetivo ofensivo, como muitas pessoas pensam. Ou você chamaria alguém ” ô, seu magro” para ofender!? Isso é algo extremamente necessário que se pare de falar, ou as crianças de hoje também crescerão entendendo que gordo(a) é algo negativo e ofensivo.

Após essa pequena desconstrução feita acima, vamos a reflexão que vai abrir a mente para o NÃO JULGAMENTO:

Existem pessoas magras que são mais doentes que outras gordinhas, que comem muitos alimentos de baixa qualidade nutricional, assim como, existem pessoas gordas que não são sedentárias, que sempre comem salada, que são felizes, assim como há magros que não gostam de seus corpos e são doentes, têm colesterol alto, problemas gastrointestinais, dentre outros diversos exemplos.

O convite aqui é para que você amplie sua caixinha de opiniões, SEM ROTULAR, trocando seus pré-julgamentos e opiniões condicionadas e automáticas por novos ângulos de visão:

Ser gordo não implica necessariamente em dizer que a pessoa não tem saúde, não pratica esportes e não se alimenta bem, o oposto também vale para os magros: nem toda pessoa magra está saudável, feliz e se cuida corretamente. Pense bem a respeito e procure perceber, a partir de agora, que sentimentos e pensamentos você tem quando vê uma pessoa gorda.

2- “MULHER PRECISA SER FEMININA E HOMEM TEM QUE SER MACHO”:

Então quer dizer que, se uma mulher nasce e cresce e não tem dons considerados “femininos”, ou seja, não possui uma personalidade delicada, meiga, dócil; não gosta nem quer se casar, ser mãe etc…então trata-se de uma mulher que não tem tanto valor e não é tão “boa” quanto outras que querem e são tudo isso?! Quantas inúmeras personalidades e talentos podem existir em cada mulher? O que é ser FEMININA? Será que o significado dessa palavra não é diferente dependendo da realidade de cada pessoa?!

Se uma mulher é maior no tamanho, no peso, gosta de esportes, usa roupas mais largas e tem voz mais grossa isso quer dizer, automaticamente, que ela deve ser gay? Por ter um jeito mais masculino, provavelmente ela não desenvolveu feminilidade, não ‘se cuida’, não tem autoestima?! Já conheceu alguém que pensa assim?

E quanto a um homem que se emociona ao ver filmes e ir em casamentos, gosta de músicas e programas mais tidos como mais ‘femininos’, isso quer dizer que ele é gay? Se ele curtir se arrumar, for preocupado com a estética da pele, unhas, pêlos, se faz os trabalhos domésticos e curte cozinhar, decorar a casa, as pessoas costumam cair em cima cheias de críticas e ofensas. Afinal um homem não pode ser vaidoso e se preocupar com sua imagem, pois já o colocarão na “caixinha” rotulada “metrossexual” ou “homossexual” ou “fresco”, “viado” e por aí vai…

Adjetivos e apelidos inescrupulosos para ambos os lados são intermináveis. Será que todos levam realmente na brincadeira? Será que a intenção das pessoas REALMENTE não é ofender nem diminuir? Ninguém gosta de ser desrespeitado por suas escolhas e para tudo há limites! Há muitas formas de brincar e fazer o outro rir sem precisar diminuir ou exacerbar nenhuma de suas características. Pense bem, reflita 50 vezes para não ofender ninguém à sua volta.

Neste artigo quisemos explanar um pouco sobre esse fenômemo que são os estigmas sociais através de dois exemplos muito vistos e presenciados em todos os locais, sendo um referente a uma característica física e outro relacionado à características de personalidade e identidade.

São duas lutas que muitos vêm travando, dentre infinitas outras ligadas à racismo, homofobia, feminismo, machismo, pessoas com deficiência, etnias, religiões etc, e que a sociedade vem, de alguma maneira, buscando conversar mais a respeito e TROCAR SEUS JULGAMENTOS PELA CURIOSIDADE, ou seja, pelo interesse em entender melhor a diversidade humana. As diferenças são feitas para serem respeitadas e compreendidas. Não é isso que você quer para você? Respeito e compreensão? Então deve oferecer o mesmo aos demais.

Até que nossa convivência com as diferenças seja completamente pacífica e harmônica tem muito chão, porém, abrir a mente e o coração para falar a respeito e procurar evoluir seus conceitos, desconstruindo certas crenças e rótulos, JÁ É UM EXCELENTE COMEÇO! 😉